A China já é o maior vendedor de máquinas e equipamentos para a indústria nacional.
Boa parte das medidas adotadas pelo governo para proteger a indústria
teve a China como alvo. Mas essas ações não impediram a explosão de
vendas de produtos chineses ao país. Tampouco contribuíram para diminuir
a dependência brasileira de manufaturados made in China. O país
asiático tornou-se o principal fornecedor do Brasil nos três primeiros
meses deste ano, com uma fatia de 15,5% de tudo o que se importa,
ultrapassando os EUA (14,6%). A agressividade chinesa pode ser
constatada na comparação com 2000, quando era apenas o 11º fornecedor do
Brasil, com participação de 2,19% no total importado. Só em 2011, as
compras brasileiras deram um salto de US$ 7,19 bilhões. Os chineses
também já são os maiores fabricantes de três dos 12 principais itens
importados pelo país este ano, além de estarem entre os dez mais em
outros dois grupos.Desde o início do governo de Dilma Rousseff, as ações
na área de defesa comercial para coibir a concorrência desleal
multiplicaram-se, assim como outras iniciativas para conter as
importações na fronteira. Um terço das petições em análise é contra
produtos chineses. A mesma proporção vale para investigações em curso e
os direitos já aplicados. Esses percentuais podem ser maiores, se
consideradas ações contra Indonésia, Vietnã e Malásia, que têm sido
usados como rota de produtos chineses para disfarçar a origem.Para os
exportadores, no entanto, essas medidas têm sido “uma gota no oceano”.
Isso é confirmado por cálculos do governo, que mostram que se todos os
processos de antidumping em análise ou em curso pudessem impedir a
entrada dos produtos questionados, os efeitos seriam sobre apenas 3% do
comércio. O país importa nove mil produtos todos os anos."São uma gota
no oceano. Precisamos de reformas estruturais, como a tributária, a da
previdência e a política, que poderão dar competitividade ao produto
brasileiro, assim como uma situação cambial mais favorável. Também são
indispensáveis investimentos em infraestrutura", diz o presidente da
Associação de Comércio Exterior do Brasil, José Augusto de Castro.O
diretor do Departamento de Defesa Comercial do Ministério do
Desenvolvimento, Felipe Hees, reconhece que o impacto de medidas de
defesa comercial é pequeno. Até porque têm como foco a concorrência
desleal e não todas as importações. Segundo ele, é natural que a China
se destaque por ser o maior parceiro comercial do país."As decisões não
têm qualquer viés contra os chineses. Até porque há muitas petições
apresentadas pela iniciativa privada que são rejeitadas",
explica.Máquinas chinesas permitem produção mais barataUm limitador para
as ações do governo de contenção das importações — e que reforça a
necessidade de medidas mais amplas — está no fato de que há cada vez
menos bugigangas na pauta. O Brasil nunca comprou tantas máquinas da
China para ampliar a indústria nacional. Impedir a entrada destes itens
limitaria a capacidade das empresas de produzir com equipamentos mais
baratos."O fato é que, sem outras formas de reduzir custos, as empresas
não têm como não recorrer a essas máquinas", diz Castro.Superavitário
até 2005, o setor de máquinas no Brasil precisou importar US$ 20 bilhões
a mais do que conseguiu vender ao exterior em 2011. A China já é o
primeiro fornecedor do país em quantidade e o segundo em valores
financeiros. Entre a falta de iniciativas do governo e o apetite da
indústria por equipamentos mais baratos, a Associação Brasileira da
Indústria de Máquinas (Abimaq) lançou o “Grito de Alerta”, assinado por
sindicatos. Para o vice-presidente da Abimaq, José Velloso, iniciativas
pontuais não resolvem o problema. A mudança do patamar do câmbio em 2008
teria sido o “cavalo de pau” para a indústria."Câmbio e reforma
tributária são a solução. Não desaprendemos a ser competitivos. O que
mudou foi o câmbio", afirma.Beneficiado com a aplicação de direitos
antidumping e outras medidas do governo, o setor de material de
construção está importando mais. Comprou US$ 7 bilhões lá fora em 2011,
contra US$ 1 bilhão em 2003. A China já é quem mais vende estes
materiais para o Brasil e responsável por um terço das importações."O
câmbio e o custo Brasil têm a resposta", diz Walter Cover, presidente da
Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção.Para o
economista-chefe do banco ABC, Luis Otavio Leal, o protecionismo pode
ser um tiro no pé e oficializar a ineficiência.
Fonte: Agência O Globo
Fonte: Agência O Globo
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