A inflação neste ano deve ficar entre 4,5% a 5%.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ressaltou que a Selic
continuará caindo desde que as condições da inflação no Brasil permitam.
Segundo ele, os índices de preços no País estão bem comportados. "A
inflação neste ano deve ficar entre 4,5% e 5%", comentou
Mantega mostrou-se seguro também de que as instituições financeiras privadas vão baixar os spreads das operações financeiras - a diferença entre o custo de captação e o que é efetivamente cobrado do cliente final. "Tenho certeza que os bancos privados vai baixar os spreads. Se não baixarem, vão perder mercado", disse, antes de participar de seminário promovido pela revista Brasileiros em São Paulo.
O ministro deixou bem claro que não está nada satisfeito com o atual patamar dos spreads bancários cobrados pelas instituições financeiras comerciais. "O spread no Brasil é um dos maiores do mundo, não se justifica", disse. "Somos campeões numa coisa ruim, mas temos margem para reduzi-lo", comentou.
De acordo com Mantega, a redução dos juros das operações financeiras realizadas junto a consumidores e empresas é "certamente" um dos instrumentos que o governo conta para estimular a economia do País.
O ministro voltou a intensificar as críticas aos bancos privados, ao ressaltar que apesar da Selic ter iniciado um processo de redução desde agosto, isso não gerou taxas menores de juros nas operações financeiras realizadas pela população. "Selic menor não se traduziu em queda de juros ao consumidor", afirmou.
Os comentários de Mantega reverberam a cruzada da presidente Dilma Rousseff contra o spread bancário alto, que inclusive foi objeto central de seu pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV relativo à celebração do Dia do Trabalhador. "O custo financeiro continua muito elevado", destacou Mantega.
Para o ministro, o crédito no Brasil "não está crescendo a contento". Segundo ele, o "crédito em 2012 se expande a uma taxa inferior ao desejado" para estimular o nível de atividade. "Esse é um problema que precisamos enfrentar", destacou.
Desindustrialização
O ministro da Fazenda negou que haja em curso um processo de desindustrialização no Brasil. De acordo com Mantega, a crise mundial afeta principalmente a indústria manufatureira mundial que vai buscar mercado em outros países como o Brasil. "(O setor) é o principal afetado pela crise. Por isso, dizem que, em alguns países, há desindustrialização. Isso não está ocorrendo no Brasil, apesar de a indústria estar também sendo afetada pela crise (internacional)", disse o ministro, ao comentar medidas de estímulo ao setor.
Na América Latina, segundo Mantega, a produção industrial se comparada com Europa e Estados Unidos continua sólida e, na região, o Brasil é o maior produtor. De acordo com o ministro, o governo continuará tomando medidas para manter o mercado interno.
Crescimento
O Brasil vai buscar uma taxa de crescimento equivalente a 4,5% neste ano, disse Mantega. De acordo com o ministro, a expansão almejada para o PIB em 2012 não é fácil, mas o governo mantém o objetivo de alcançá-la. E a dificuldade para alcançar a meta de crescimento de 4,5% se dá em razão da economia mundial manter a trajetória de desaceleração.
O ministro, entre uma projeção e outra, avalia e faz comparações entre o crescimento esperado para este ano, a expansão do PIB em 2011 e em 2010. De acordo com ele, a economia em 2012 vai crescer mais que no ano passado (2,7%), apesar de ficar abaixo de avanço de 7,5% do PIB em 2010. "No ano passado, crescemos 2,7%, que foi maior do que o crescimento de muitos países da Europa e dos EUA. É que em 2010 crescemos 7,5% e a gente fica mal acostumado", brincou o ministro.
Para Mantega, mesmo tendo crescido menos no ano passado, o Brasil continua a gerar empregos, o que não ocorreu na Europa, onde os países convivem com desemprego há três anos. Segundo ele, na Europa, o desemprego deverá continuar, o que deverá acirrar as pressões políticas sobre os respectivos governos. "A cada semana cai um presidente nos países da região porque a população não está contente com o gerenciamento da crise", explicou.
Fonte: O Estado de SPaulo
Nenhum comentário:
Postar um comentário