Queda de 0,5% da produção industrial em março ante fevereiro não estava na conta de boa parte do mercado;
O desempenho da indústria no primeiro trimestre, segundo dados
divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), traz uma perspectiva ruim para o Produto Interno Bruto (PIB) e
deve levar a uma onda de revisões nas expectativas de crescimento não
somente para o período entre janeiro e março, mas também para todo o ano
de 2012, que pode aparecer já na próxima pesquisa Focus do Banco
Central.
Economistas consultados pela Agência Estado logo após o instituto publicar a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), segundo a qual a indústria amargou queda de 0,3% no primeiro trimestre, revisaram ou pretendem alterar seus números.
A queda de 0,5% da produção industrial em março ante fevereiro não estava na conta de boa parte do mercado. Na pesquisa AE Projeções realizada com 49 instituições, apenas duas delas contavam com resultado negativo na margem. O intervalo das estimativas ia de -1,30% a +2,60%, com mediana positiva de 1,20%. De forma semelhante, na comparação com março de 2011, apenas três das 44 casas que informaram suas projeções esperavam queda, que efetivamente ficou em 2,1%. As previsões iam de recuo de 3,60% a alta de 2,70%, o que gerou mediana positiva de 1,30%.
O IBGE ainda revisou para baixo da queda de 1,5% da produção em janeiro ante dezembro, para -1,6%. E, por fim, segundo o instituto, a produção industrial na margem teve perfil de queda generalizado - 18 dos 27 setores pesquisados tiveram recuo.
Para a economista-chefe do Bank of New York Mellon ARX Investimentos, Solange Srour, "a PIM coloca um viés de baixa para o PIB do primeiro trimestre". Por enquanto, a economista prevê alta de 0,7% para o PIB do período mas deve rever essa estimativa para baixo. "Possivelmente, mais perto de algo entre 0,5% e 0,6%", disse em entrevista à Agência Estado.
De acordo com Solange, sua expectativa para o PIB de 2012, atualmente em 3%, também pode ser revista a depender dos próximos indicadores, e não somente por causa do resultado da indústria no primeiro trimestre. "A cara do segundo trimestre também já não é muito boa", afirmou, citando que, além do carregamento desfavorável que o primeiro trimestre impõem, outros dados da atividade de abril já conhecidos não trazem perspectivas favoráveis.
Entre eles, ela mencionou a queda na média diária das importações no mês passado - de 3,1% ante abril de 2011, segundo o Ministério do Desenvolvimento - e o declínio do Índice Gerente de Compras - HSBC Brasil (PMI) para abaixo de 50 pontos, para 49,3 pontos em abril, o mais baixo nível do indicador em quatro meses. Citou ainda os números da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), que mostraram recuo de 14,20% e de 10,82% nas vendas de veículos em abril ante março e ante abril do ano passado.
No Banco M. Safra, o economista Marcelo Fonseca reviu de 0,8% para algo entre 0,5% e 0,6% a previsão de expansão do PIB no primeiro trimestre, e de 3,2% para 2,90% a expectativa para o crescimento no ano, após os dados da produção industrial. "A recuperação é bem mais lenta do que se antecipava e os primeiros indicadores de abril mostram que não está havendo melhora substancial", disse.
Na Quantitas Asset, também há disposição em revisar as projeções do PIB para baixo. "De forma geral, dados mostram que indústria está mesmo perdendo força. O trimestre foi fraco e gera uma expectativa ruim para PIB", afirmou o economista-chefe Gustav Gorski, lembrando que a indústria tem participação de cerca de 30% no PIB. A estimativa para o crescimento da instituição atualmente é de 0,6% e deve ser alterada, "mas não muito mais para baixo". "Ainda não mudamos, mas o viés é claramente para baixo", disse Gosrki, que para tanto vai aguardar os números do varejo e o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC- Br).
Em relatório divulgado a clientes, a LCA afirma que com o fraco resultado de março da indústria, "o PIB deve ter registrado crescimento de apenas 0,5% no primeiro trimestre de 2012 (em relação ao quarto trimestre".
Fonte: O Estado de SPaulo
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